Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Sorte, destino, ou pura boa vontade?
27 de dezembro de 2010 às 1:06 AM | por Lorena Gonzalez.
Quais são as chances dos seus sonhos de infância se realizarem muito tempo depois de você ter parado de tentar realizá-los? Quais são as chances daquela pessoa voltar a aparecer na sua vida depois de tanto tempo? Nenhuma! Pelo menos isso era o que ela pensava... Isso era o que todos a sua volta acreditavam. E agora ela não conseguia mais pensar diferente disso. E era por isso que ela estava tão quieta no carro, enquanto sua mãe dirigia para mais uma cidade (a terceira só nesse ano) cantando e falando sobre como dessa vez seria diferente e como seria maravilhoso "as pessoas novas, a casa nova, a vizinhança nova, a escola nova" - ah, a escola nova. - Ela estremeceu. Essa era a pior parte. Seria aluna nova de novo.
E não importava em quantas cidades ela morasse, nenhuma era igual a primeira. A primeira escola em que ela estudou, quando todos eram alunos novos e não só ela e todos cresceram juntos. Sem esquecer, é claro, daquele menino que não era aluno novo, não era da sua turma, não era nem do seu ano. Ele era mais velho, um ano ou dois. A primeira vez que ela o viu seu queixo até caiu. Ele era lindo, moreno, alto, e seu sorriso era o sorriso mais maravilhoso que ela já tinha visto. E pra completar: ele jogava basquete. E ela ficava de longe só admirando, imaginando, sonhando...
Agora não mais. Afinal, ela tinha aprendido que sonho não é pra sempre. Tudo bem, você pode sonhar uma vez ou outra, pode imaginar uma coisa ou outra, mas deve saber que nunca vai acontecer, que não importa o quanto você peça pras estrelas, elas não vão realizar os seus pedidos. Principalmente quando você já mudou de cidade cinco vezes e nunca sequer soube o nome do garoto.
Mas ok, sem pessimismo. Moraria numa nova cidade agora? Ótimo, quem sabe ela não conseguia um quarto maior na casa nova. Melhor ainda se fosse bem longe do de seu irmão mais novo.
-Chegamos! E aí, queridos, o que acharam? - Sua mãe sorria animada mostrando a casa nova.
-É, legal. Tanto faz. - Ela saiu do carro carregando sua caixa e passou reto pela mãe.
-Alexia, você podia pelo menos ser mais simpática. Vai ser divertido, você vai ver. - Sua mãe trazia mais caixas para dentro. - Pode pelo menos me ajudar a descarregar o carro?
-A Alexia ta emburradinha assim porque teve que deixar o namoradinho na cidade velha! - Seu irmão riu enquanto espalhava uma caixa de brinquedos pelo chão.
-Quem dera eu tivesse tempo de arranjar qualquer namoradinho em alguma cidade que a gente mora! - Ela não tentou esconder seu desgosto enquanto ajudava a mãe.
A primeira semana passou e ela já estava começando a aceitar que não seria tão ruim assim. A escola ainda estava sendo meio difícil, as pessoas não pareciam muito animadas a acolher uma aluna nova bem nessa época do ano. Que tipo de pessoa decide mudar assim, no final do ano letivo? Será que ela tinha sido expulsa da escola anterior? O que todo mundo achava é que devia ter alguma coisa errada.
Ta, não sejamos injustas, tinha alguém que não achava isso, uma única pessoa, mas já era alguém. Amanda foi a única que se aproximou de Alexia e em uma semana elas já estavam bem unidas. É claro que ainda não eram melhores amigas de infância, mas já era alguma coisa.
-O que você vai fazer nesse final de semana? - Amanda perguntou animada enquanto as duas caminhavam de volta pra casa.
-Acho que me trancar no meu quarto e esperar o mundo acabar. Por quê? Você tem alguma ideia melhor? - Alexia sorriu desanimada.
-Vai ter um baile de formatura da minha irmã mais nova, se você quiser ir... Provavelmente só vai ter pirralho, mas vai ser legal. - Amanda parecia se desculpar por não ter nada melhor do que um baile de criança pra ir.
-Ah, tudo bem. Melhor do que ficar em casa aguentando meu irmão. - Alexia se despediu de Amanda e foi para casa.
Não estava muito animada para ir a um baile agora, mas realmente era melhor do que ficar em casa. Parecia que a cada cidade que eles mudavam sua relação com a mãe só ficava pior.
-Alexia, nós estamos fazendo cup cakes, você quer ajudar? - Sua mãe gritou da cozinha.
-Não, eu vou para o meu quarto. - Alexia subiu a escada a tempo de ouvir seu irmão resmungar
-Por que ela não brinca mais com a gente? Ela ficou meio chata depois que a gente mudou de casa... Eu gostava mais dela antes...
Entrou no quarto e fechou a porta. Precisava achar alguma coisa pra vestir no baile sábado. Abriu o armário que ainda estava desorganizado. Começou a procurar aquele vestido por toda parte, mas não achava. Precisou abrir umas cinco caixas antes de encontrar. Precisaria lavar e passar, mas era ele mesmo que ela usaria. Não queria ter que pedir pra sua mãe lavar a roupa, queria evitar perguntas porque junto com as perguntas viriam as piadas.
-O que você está fazendo, Alexia? - Seu irmão entrou no quarto com a roupa suja de farinha.
-Nada, o que você está fazendo aqui? Vai sujar meu quarto de farinha!
-A mamãe ta chamando pra jantar. Você tem que ver os bolinhos que a gente fez! Eu fiz um com o desenho do Batman! - Ele saiu do quarto animado.
Eles desceram a escada conversando e ela, disfarçadamente, levou o vestido para a área de serviço. Depois do jantar, com a desculpa de lavar o uniforme, ela lavou o vestido. O ruim foi que ela teve que lavar o uniforme também.
No sábado ela foi cedo para a casa de sua amiga. Tinha dito a sua mãe que dormiria lá, mas não tinha falado nada sobre o baile. Não sabia bem porque, mas morria de vergonha de contar para sua mãe o que elas fariam.
-Oi! Que bom que você veio se arrumar aqui, assim pode me ajudar com a maquiagem. Eu sou péssima nisso. - Amanda sorria.
-Eu te ajudo, taí uma coisa em que eu sou boa. - Alexia colocou seu estojo de maquiagens em cima da penteadeira.
As duas começaram a se arrumar. Alexia tinha começado a fazer a maquiagem da amiga, quando esta timidamente perguntou:
-Mas então, por que vocês decidiram mudar assim no final do ano?
-Minha mãe inventou essa história de não sossegar na mesma cidade por mais de três meses desde que ela se separou do meu pai. - Alexia respondeu sem emoção.
-Mas... Por quê? - Amanda tinha certo medo de perguntar.
-Ela acha que se nós não ficarmos presos a um lugar, não sentiremos tanta falta do meu pai. Na verdade isso não muda nada pra gente. - Alexia deu de ombros.
Amanda percebeu que Alexia não queria falar sobre isso, então mudou de assunto e as duas continuaram se arrumando, apenas conversando sobre assuntos leves. As duas já estavam prontas quando os pais e a irmã de Amanda chegaram. Apressados eles foram até o salão do baile.
O salão estava lindo, muito bem decorado, e já estava cheio. Porém, cheio de crianças da oitava série, animadas com o super baile de formatura, andando pra lá e pra cá com os seus sapatos de salto e seus copos de guaraná com energético e tirando fotos a cada cinco minutos.
Depois do jantar e do cerimonial os pais de Amanda foram embora e as duas ficaram lá tentando se misturar aos grupos que ocupavam a pista de dança. Mas o mundo deles parecia distante demais, então as duas apenas se divertiram dançando sozinhas no canto.
Até que a mágica aconteceu. Tudo bem, a mágica ainda não tinha acontecido, mas foi uma luz. Alexia o viu. Tinha certeza que era ele. Aquele menino do começo da história, lembra? O moreno, alto, que jogava basquete. Meu Deus, era ele mesmo. Ela não conseguia acreditar. Ficou uns cinco minutos parada, olhando, de boca aberta.
-Alexia, ta tudo bem? - Amanda parecia confusa.
-Aham, ta tudo... - Quem foi que disse mesmo que sonhos não viravam realidade? Era coincidência demais ele aparecer de novo depois de tanto tempo e em outra cidade. Não podia ser ele.
-Parece que você viu um fantasma! - Amanda parecia preocupada - Acho melhor a gente ir lá pra fora um pouco.
O coração de Alexia estava disparado. Elas passaram em frente a roda de amigos dele. Com certeza era ele, ela reconheceria esse sorriso em qualquer lugar. Sem que pudesse se controlar, um sorriso enorme se abriu em seu rosto.
-Ta, agora você pode me explicar o que ta acontecendo? - Amanda ainda parecia preocupada.
-Moça, em que série vocês estão? - Mas, antes que Alexia tivesse tempo de falar qualquer coisa, um menino, um dos que estavam na roda do tal menino, falou com elas.
-Cara, eu já falei! Elas são da oitava série! - Um loiro falou de longe.
-Eu não sou da oitava série. - Alexia respondeu indignada - Nós somos do segundo ano.
O loiro olhava para elas com um sorriso incrédulo, mas Alexia nem prestava atenção nele. Ela estava mais interessada no moreno do lado dele, que também a olhava. Amanda, por sua vez, estava extremamente sem graça e preferia que Alexia não tivesse respondido a pergunta.
-Vem, dança comigo. - O loiro puxou Alexia para dançar. - Você é mesmo do segundo ano?
-Sou. - Alexia não conseguia parar de olhar para o moreno, que havia sentado.
-Desculpa, eu não sei dançar... - O loiro olhou para ela se desculpando. - Só to dançando pra ficar perto de você.
Alexia riu. Não podia negar, ele tinha seu charme e era muito bonito, mas ela sempre preferiu morenos a loiros. Além de que o moreno já era sonho antigo.
-Como é seu nome? - Ele perguntou puxando-a para mais perto.
-Alexia. - Ela respondeu se afastando.
-Alexia... E por que eu nunca te vi no colégio Alexia? - Ele a olhava com um esboço de sorriso no rosto.
-Não sei... Talvez porque você não tenha prestado muita atenção. - Ela riu.
-Vocês já viram elas no colégio? - Ele parou de dançar e se dirigiu aos amigos que estavam sentados.
-Na verdade... Eu sou nova aqui. - Alexia explicou. - Cheguei faz uma semana...
-Ah, isso explica muita coisa. - O loiro sorriu. - E você veio da onde?
-Eu morava em uma cidade pequena, você não deve nem conhecer. Estudava no colégio Leonardo da Vinci. - Alexia deu uma olhada rápida e sugestiva para o moreno.
-Sério? Eu estudei nesse colégio! - O moreno a olhou interessado. - Por isso seu rosto me é familiar...
-Acho que eu lembro de você... Você treinava basquete não é? - Alexia sorria.
-Eu treinava. Você treinava também? - Ele sorriu para ela, um sorriso meio desconfiado, meio reconhecendo Alexia.
-Treinava. Mas aí eu mudei de cidade... Nunca mais joguei. - Ela se sentou ao seu lado.
-Eu também parei de treinar, tava precisando estudar. - Ele riu - E então eu vim pra cá fazer faculdade.
Eles ficaram conversando. A conversa fluía leve como ela nunca imaginou. Ela se esqueceu da festa, esqueceu do loiro e até esqueceu a amiga, que tinha ficado por perto só olhando. Ela se esqueceu de tudo porque só conseguia se concentrar no sorriso dele. Só conseguia se concentrar nos olhos dele que pareciam sorrir pra ela com uma cumplicidade que ela mesma não entendia. Era como se ele tivesse planejado aquele dia dês da ultima vez que a tinha visto, apesar dela saber que isso não era possível. O tempo passava e eles nem percebiam, perdidos como estavam naquele monte de conversa sem sentido, sem futuro. Nada do que eles falavam tinha importância, provavelmente eles não lembrariam nem da metade daquela conversa no dia seguinte. Ela ria, mas não saberia falar do que se alguém perguntasse. Alguma coisa tinha sido engraçada, mas não fazia diferença agora. Ele a olhava sorrindo, mas só com os olhos. A boca estava num quase meio sorriso. Sabe, aquele quando a pessoa não chega a sorrir de verdade, mas você sabe que está lá? Era esse sorriso que ela viu e que a deixou sem graça. Ela abaixou a cabeça, levemente corada e um pouco confusa. Por que ele a olhava desse jeito?
Ele afastou o cabelo dela do rosto, ela tinha olhos lindos. E um sorriso mais bonito ainda. Tudo em seu rosto encaixava, ela podia nem ser a menina mais bonita que ele já tinha visto, mas tinha um brilho especial que ele jamais entenderia. Não pôde deixar de sorrir ao vê-la corar. Delicadamente segurou seu queixo e ergueu seu rosto.
Se ela ainda acreditasse em contos de fadas e desejos pra estrelas ela teria ficado de joelhos naquele exato momento e agradeceria aos céus. Não direi nada sobre o beijo mais doce, sincronizado e maravilhoso que ela provou. Não direi nada sobre como ele segurava sua cintura o mais próxima possível dele de forma tão carinhosa. Não direi nada sobre a aura cor-de-rosa que os envolvia, os fogos que não paravam de explodir mil cores em volta de suas cabeças e a música suave que parecia tocar em seus ouvidos. Perdoem-me a pieguice, para evitar que se repita não direi mais nada sobre como eles pareciam funcionar juntos.
Então eles perceberam que música tinha parado e as luzes lá dentro estavam acesas. Os amigos deles estavam reunidos em uma espécie de roda e parecia que tinha alguma coisa acontecendo.
-Eu já volto. - Ele deu um beijo nela antes de se afastar.
Ela continuou lá sentada sem acreditar em sua sorte. Será que era verdade mesmo o que tinha acontecido? Não, provavelmente era só um sonho bobo. Provavelmente ela chegaria em casa e a mãe estaria esperando com as malas prontas para ela ajudar a colocar no carro. Mas nem essa hipótese conseguia tirar aquele sorriso bobo de seu rosto.
-Alexia, que sorte a sua! - Amanda veio sorrindo sentar-se ao seu lado.
-Ele é tão... - Alexia não conseguiu achar uma palavra que descrevesse por inteiro o que ela estava sentindo naquele momento. Ela não conseguia tirar os olhos dele.
-Eu já vou embora... Mas não queria ir sem dar tchau. - Ele parou em frente dela.
-Ah... Ta. - Ela não sabia bem o que dizer. Ele a beijou e se virou para sair. - Espera!
Ele parou curioso e olhou para ela. Ela tropeçou nas palavras, não queria demonstrar ansiedade, mas era difícil não perder o fôlego toda vez que olhava pra ele, era difícil acreditar que isso estava mesmo acontecendo.
-Eu não sei seu nome. - Ela falou meio devagar, sem graça, mas sem tirar os olhos dele.
-Murilo. - Ele sorriu antes de ir embora.
E ela não queria assumir, mas não tinha como voltar pra casa sem acreditar um pouquinho que fosse em destino e essa história toda. Disfarçadamente ela agradeceu as estrelas, voltou para casa dançando. Porque, afinal, as chances de realizar seus sonhos de infância podem ser mínimas, as chances de aquela pessoa voltar a aparecer na sua vida, mesmo depois de tanto tempo e tantas cidades, pode até ser pequena, mas existe. Quem sabe, com um pouquinho de sorte e de fé, tudo pode acontecer. Não sei se é destino, se são as suas ações ou a boa vontade das tais estrelas que vêem tudo ou até a regência do seu signo, mas quem sabe...  

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Da minha janela eu vejo...
14 de dezembro de 2010 às 1:54 PM | por Lorena Gonzalez.
Naquele dia, quando abri a janela do meu quarto, o parquinho em frente já estava cheio de crianças e suas babás conversavam. Era fácil perceber quais babás vinham do bairro rico na outra quadra porque, além dos uniformes, elas não se misturavam.
Reparei em uma menina, a pele branca, o cabelo loiro preso com uma fivela, os olhinhos azuis e inocentes brilhando com a descoberta da flor ao lado da gangorra. Outra menina se agachou ao seu lado, porém esta tinha a pele morena e os cabelos cacheados presos num rabo. As duas sorriam dividindo a descoberta como se fosse um tesouro, de mãos dadas buscaram água para molhar a florzinha tão pequena. Foi só a babá perceber com quem sua menina estava brincando e correu puxando-a para longe do parquinho, os olhinhos azuis sem entender.
No outro dia, o parquinho também já estava cheio e aquelas duas meninas que tinham dividido um tesouro já não brincavam juntas, mesmo sem entender os motivos, apenas compartilhavam de longe o carinho por aquela flor.

desenho de Kurt Halsey

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O que faz você feliz?
1 de dezembro de 2010 às 9:46 PM | por Lorena Gonzalez.
Lembra aquele filme que você assistiu quando era criança? Você não viu inteiro, perdeu o começo ou teve que sair antes do fim, seja pra voltar pra casa ou pra ir pra catequese, não importa. Mas você viu o filme e gostou. Era um filme meio bobo, passou na Sessão da Tarde, mas você riu tanto. E tinha uma história tão legal, era tão engraçado, você não fazia ideia de como aquilo estava acontecendo e queria ver só como ele ia fazer pra sair dessa. E aí você chegou pra sua mãe e disse "mãe, assisti um filme tão legal hoje! O cara era repórter e tava numa cidadezinha, mas ele queria ir embora e aí ele fica preso no tempo e começa a fazer um monte de coisas porque ele sempre acorda no mesmo dia! Ele é até preso e quando acorda ta na cama dele de novo, é genial! O tempo não passa e ele não sabe como fazer pra acordar no outro dia, ele fica sempre acordando no mesmo dia! É muito engraçado!" e não consegue se lembrar do nome do bendito filme. E agora já faz uns bons cinco anos que você viu o filme, você tem uma certa lembrança do rosto do personagem principal, mas não faz ideia de que ator é. E por algum motivo obscuro você decide que quer encontrar o filme, quer descobrir o nome e também como é que acaba, se ele consegue passar pro dia seguinte e como ele ficou preso naquele dia. Você senta na frente do computador, abre a janela do Google e escreve "filme - um homem acorda sempre no mesmo dia" e magicamente descobre que alguém já perguntou isso antes e ali, brilhando em letras garrafais acompanhadas de um coro dos anjos, encontra o nome do filme.

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




Agradecimentos.

Skin:Júlia Duarte.
Basecode:Jaja
Best view:Google Chrome

desenho de Kurt Halsey
O que faz você feliz?
1 de dezembro de 2010 | 9:46 PM | 4 Order
Lembra aquele filme que você assistiu quando era criança? Você não viu inteiro, perdeu o começo ou teve que sair antes do fim, seja pra voltar pra casa ou pra ir pra catequese, não importa. Mas você viu o filme e gostou. Era um filme meio bobo, passou na Sessão da Tarde, mas você riu tanto. E tinha uma história tão legal, era tão engraçado, você não fazia ideia de como aquilo estava acontecendo e queria ver só como ele ia fazer pra sair dessa. E aí você chegou pra sua mãe e disse "mãe, assisti um filme tão legal hoje! O cara era repórter e tava numa cidadezinha, mas ele queria ir embora e aí ele fica preso no tempo e começa a fazer um monte de coisas porque ele sempre acorda no mesmo dia! Ele é até preso e quando acorda ta na cama dele de novo, é genial! O tempo não passa e ele não sabe como fazer pra acordar no outro dia, ele fica sempre acordando no mesmo dia! É muito engraçado!" e não consegue se lembrar do nome do bendito filme. E agora já faz uns bons cinco anos que você viu o filme, você tem uma certa lembrança do rosto do personagem principal, mas não faz ideia de que ator é. E por algum motivo obscuro você decide que quer encontrar o filme, quer descobrir o nome e também como é que acaba, se ele consegue passar pro dia seguinte e como ele ficou preso naquele dia. Você senta na frente do computador, abre a janela do Google e escreve "filme - um homem acorda sempre no mesmo dia" e magicamente descobre que alguém já perguntou isso antes e ali, brilhando em letras garrafais acompanhadas de um coro dos anjos, encontra o nome do filme.

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