Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

(des)Amor adolescente
28 de junho de 2011 às 1:20 PM | por Lorena Gonzalez.
O que mais me incomoda é saber que não importa o que eu faça, ele simplesmente não se importa. Eu posso fazer o que eu quiser pra demonstrar meu desagrado, minha decepção, até minha rejeição, ele não vai nem perceber, muito menos entender que a conversa é com ele.
Meu plano era ficar sem falar com ele, pra ver se ele percebia que tinha feito alguma coisa errada e ficasse se perguntando o que foi (já seria melhor do que nada). Talvez ele sentisse minha falta, viesse me procurar, perguntasse por mim... Se ele perguntasse por mim, ah, isso sim seria um prêmio. Nada melhor do que, além de sentir minha falta, ele me procurar.
Pensei em, no lugar de não falar nada, falar tudo o que eu queria. Falar em como ele é um babaca que não sabe o que faz. Criticar essa necessidade desesperada de se provar pros outros (ou pra ele mesmo...). Queria dizer que ele cometeu um erro enorme desperdiçando e uma chance como essa, e que, já que ele decidiu assim, eu não voltaria atrás.
Até tentei entender, ver a vantagem que ele via no que tinha feito, tentei de verdade, mas simplesmente não consegui. Nada me fez ver o que ele ganhou com tudo isso e qual foi realmente o lucro. Porque, se ele queria que as coisas não ficassem estranhas entre nós, bem, é obvio que não deu certo.
Considerei a ideia de brigar com ele, dar de dedo naquela carinha bonita, bater o pé e bater nele, deixar minha marca. Queria fazê-lo perceber o quanto essa indiferença me machuca. Se ela pelo menos tivesse demonstrado alguma boa vontade... Você não vê como é ridículo se humilhar assim?
Desejei profundamente poder voltar no tempo, recuperar aqueles dias que eu perdi com você, as risadas dadas de forma tão espontânea e sincera. Quis esquecer aqueles olhos que me cegaram totalmente e não pensar mais naquele sorriso que me ganhou desde a primeira vez que eu vi.
E foi nessa hora que eu o odiei mais. Odiei por ter me feito pensar que valia o esforço, por me dar o mundo num olhar só pra pegar de volta em outro. Mas odiei principalmente por, apesar de tudo, não conseguir odiar por completo e ainda desejar profundamente um décimo que fosse de sua atenção.
E então, o que me restou foi imaginar, deitada sem dormir, que, talvez, ele se sentisse culpado. Talvez (ainda que bem no fundo) ele soubesse o que causou e que isso o matasse aos poucos por dentro. E que, sem saber o que fazer (por medo, quem sabe) ele simplesmente acabasse como eu, deitado imaginando o que seria de nós dois agora. Sorrio porque sei que vou tentar tudo isso e ao mesmo tempo não tentarei nada, falhando todas as vezes...

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Panquecas Literárias
20 de junho de 2011 às 1:15 PM | por Lorena Gonzalez.
Ela andava apressada, com passos firmes pela rua pouco movimentada. Procurava alguma coisa em sua bolsa transversal. Quase trombou com um casal de idosos ao atravessar a rua.
Sentado em sua mesa de sempre em seu café preferido ele a observava. A moça que sempre o atendia se aproximou sorridente:
-Bom dia, o senhor vai querer o café antes ou junto das panquecas hoje?
-Não sei se vou querer panquecas hoje, Julia. – Ele respondeu sem tirar os olhos da jovem do outro lado da rua. – Me diga, o que você acha dela?
-Aquela moça? Ela é bonita, mas... Parece tão nova. – Julia respondeu um pouco sem graça, pega de surpresa pela pergunta.
-O que você diria sobre ela? – Vendo o olhar confuso da atendente completou – Que impressão ela te passa? Por que você acha que ela ta tão distraída?
Julia olhou a jovem que agora estava parada no meio da calçada revirando a bolsa. Com uma das mãos segurava alguns objetos que já tinham sido retirados para abrir caminho. Entre eles estavam um livro grosso, um estojo e mais algum objeto que eles não conseguiam distinguir daquela distância.
-Bom, ela provavelmente é estudante. Deve fazer alguma faculdade relacionada a artes ou talvez letras... Mora sozinha, não tem família na cidade e está atrasada.
-Você acha que ela vai perder a aula? – Agora ela olhava nervosa o relógio de pulso.
-Provavelmente, mas o maior problema é que ela não consegue encontrar alguma coisa, deve ter deixado em casa. – Julia brincava com o bloquinho de papel que estava em suas mãos enquanto falava.
-Muito bem, pode trazer meu café agora. – Ele sorriu para a atendente. – Não se esqueça do creme.
Julia se afastou sorrindo e ele voltou seu olhar para a jovem que voltara a andar, agora levando o celular na mão. Não, não era pra aula que ela estava atrasada, tinha alguma coisa. Alguma coisa que não estava em sua rotina e por isso ela estava tão agitada. Um carro quebrado, visita dos pais, viagem, entrevista de emprego... Poderia ser qualquer coisa.
Ele não conseguia tirar os olhos dela. Alguma coisa em sua agitação o prendia. Sentava-se ali toda manhã, inclusive sábados e feriados, observava todos os tipos de pessoa, mas nunca tinha se sentido tão interessado por uma em particular. E não era um interesse sexual, era puramente literário.
-Aqui está. Um café com creme e açúcar. Tem certeza de que não vai querer as panquecas? – Julia colocou a caneca na mesa.
-Ela foi embora tão apressada quanto chegou. O celular em uma mão, o casaco marrom pendurado no braço... Pra onde ia com tanta pressa? O que de tão importante aconteceu ou vai acontecer hoje? Por que hoje? – Ele segurou a caneca com as duas mãos. – Tem alguma coisa que a gente não viu, eu deixei alguma coisa passar...
-Coloque-a em um de seus livros. – Julia sorriu segurando a bandeja contra o peito. Ele olhou pra ela e sorriu.
-Vai, traga as panquecas.

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Só um desabafo
14 de junho de 2011 às 7:30 PM | por Lorena Gonzalez.
A minha vontade é ficar falando e falando sobre isso, o problema é que eu não tenho nada novo a acrescentar e quem vai ter saco pra ficar ouvindo eu falar as mesmas coisas e fazer as mesmas perguntas?

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Só Lamento
10 de junho de 2011 às 10:23 PM | por Lorena Gonzalez.
Eu sei que o que passou foi triste
mas o pouco que existe
na memória vai ficar

Guardei os melhores momentos
as melhores lembranças
pra um dia te contar

Cantar os caminhos que andei
os amores que vivi
e as dores que chorei

E agora eu só quero um violão
pra acalmar meu coração
sem ninguém me dizer não
(e terminar essa canção)






- música escrita em parceria e vencedora do Fesmumar ou sei lá o nome... Devidos créditos a Ana Camila Fechio e Giulia El Halabi

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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