Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Tão... o que?
27 de fevereiro de 2012 às 10:13 PM | por Lorena Gonzalez.
Juliana não era uma menina comum. Por mais que se sentisse incrivelmente comum, por mais que achasse que passava despercebida, por mais que não percebesse nada de especial sobre si mesma, sempre recebia incontáveis olhares na rua.
A verdade é que ela nunca entenderia o que tinha que a fazia tão... Tão o que? Afinal, alguém que fosse tentar analisá-la diria que ela não tem nada de especial. Tudo o que ela tem são lindos cachos castanhos repicados (um corte bem comum), um sorriso branco de dentes retos (o mínimo que se pode esperar depois de dois anos de aparelho) além de um maravilhoso par de olhos castanhos.
Como eu disse, nada fora do comum. Também não era a mais inteligente, nem a mais culta ou a mais engraçada. Não usava as roupas da moda nem sapatos de grife, estava quase sempre de tênis. Não tinha nenhuma habilidade espetacular, não tocava violão nem qualquer outro instrumento, mas adorava cantar e dançar, e se sentia bem com isso.
No dia em que nos conhecemos passamos a tarde e grande parte da noite conversando sobre nossos amores. Eu falava sobre não ter encontrado alguém, apesar do meu interesse por relacionamentos sérios enquanto ela me contava histórias sobre corações partidos. Tudo o que ficou foi eu tentando entender que tipo de pessoa em sã consciência partiria o coração dessa garota?
Depois disso não queria mais parar de falar com ela, simplesmente precisava ouvir sua voz! Me fazia bem... Era tranquila e doce, mesmo que ela dissesse que era de criança. O pior é que eu percebi nela os traços de uma criança, inocente e curiosa, às vezes um pouco assustada. Seus olhos, se você conseguisse interpretá-los, diziam tudo o que tinha pra saber sobre ela.
Eu aprendi a estar sempre atento aos seus olhos e ao que eles queriam me dizer. Odiava quando eles me diziam pra parar ou me mandavam ir embora. Me incomodava ter que dividi-la, saber que eu não tinha direito algum de exigir exclusividade, queria toda a sua atenção, todo o seu tempo, mesmo que só tivesse a sua amizade. No fundo eu sabia que todos os outros queriam a mesma coisa.
Era engraçado ver toda a situação de fora. Quando ela chegou aquele dia, tímida e insegura, ninguém parou pra olhar. Mas conforme iam percebendo a sua presença, um a um, iam se movimentando, procurando uma melhor posição, uma forma de ter atenção, talvez começar um assunto. A melhor parte era ver que ela não se esforçava nem um pouco pra isso, até se escondia...
Incrível como ela não percebe nada disso. Nem entende. Na nossa última conversa ela me perguntou “como você pode ter se apaixonado por mim se eu não parei de falar sobre outro garoto?” e isso só me fez amá-la ainda mais. Um dia ela acabou me confessando que o que mais a incomodava era atrair os olhares de todos, fazer caras como eu se apaixonarem e não conseguir um mínimo de atenção daqueles que a interessavam. 

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Inventividades Amorosas
7 de fevereiro de 2012 às 11:47 PM | por Lorena Gonzalez.
É, acho que é isso. Estou apaixonada por você. Adoro você, apesar não termos tido nenhuma conversa muito longa. Adoro seu sorriso, apesar de tê-lo visto poucas vezes. Adoro sua voz, principalmente quando canta. Adoro seu abraço... E tenho certeza de que adoro seu perfume, apesar de não me lembrar do cheiro. Mas o que realmente me deixa louca é quando me chama de "fofinha". E, você vai me achar louca, mas eu sinto ciúmes... Não aguento ver você dar tanta atenção pra elas e tão pouca pra mim, e quando chama alguém de lindinha... Queria que eu fosse a única.
Eu já imaginei tudo sobre a gente... Já imaginei todas as nossas brigas e eu te garanto que nós superamos todas elas! Na maior delas eu fui embora porque você quis. Mas ta tudo bem, eu não vou te culpar! É só que... Você não faz ideia de como foi difícil ter que ir... A pior parte foi querer voltar e saber que não podia porque você não queria. E até isso nós conseguimos superar, eu voltei, você voltou, nós voltamos! Já imaginei seus beijos e o arrepio que eles provocam. Imaginei os presentes que eu te daria, os presentes que eu ganharia, a reação da minha família. Imaginei, e não devia te dizer isso, milhões de pedidos de casamento, imaginei até o cachorrinho que você me daria de presente de aniversário!
Pra ser bem sincera já fiz planos, circulei datas no calendário, verifiquei até os preços das passagens. Fiz um bolo, cortei o cabelo, pintei as unhas, comprei um tênis, escrevi versos e mais versos... Pura expectativa. É ruim pensar que é tudo invenção... Imaginei como seria a primeira vez, onde nós estaríamos, você me beijaria primeiro e depois falaria alguma coisa? Ou me rodaria no colo no meio de todas aquelas pessoas? O que você falaria? Imaginei cada detalhe, até a roupa que você estaria usando, mas e você? O que você diria?

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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