Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Cartas secretas para um amigo anônimo
23 de abril de 2012 às 7:12 PM | por Lorena Gonzalez.
São Paulo, 23 de abril de 2012

Querido amigo,

Ontem eu estava tão cheia de saudade reprimida, tão repleta de amor sem alvo, que não conseguia parar de pensar em você. Sei que já faz algum tempo que não conversamos, sei que nem somos tão grandes amigos, talvez você nem lembre de mim durante o dia-a-dia. Acontece que eu sinto sua falta. 
Sei que não faz sentido nenhum, mas cheguei a imaginar nós dois juntos, pode isso? A verdade é que eu estou carente e sozinha, não sei como isso aconteceu, mas acabei canalizando toda uma sorte de sentimentos e projetando tudo para você. Não é que eu realmente te veja como algo além de um amigo, é só momentâneo... Na falta de um alvo sincero para as minhas paixões não correspondidas, escolhi você. É só uma imagem que eu uso para poder manter minha imaginação romântica ativa.
Espero que me desculpe por isso, que não se importe e, principalmente, que não me tire da sua vida por tão pouco.   Assim que eu achar um novo amor, assim que eu descobrir alguém que me sirva de inspiração, pararei de te usar. Continuarei sentindo sua falta, continuarei querendo saber o que você anda fazendo, talvez ainda sonhe com você. Não me leve a mal, tenho muito carinho por você, só por isso deixei que minha imaginação voasse assim tão longe, brincando com o que não existe. Não causei nenhum mal, causei?
Sem mais eu vou ficando por aqui. Despeço-me como uma amiga, apenas como amiga. Quando quiser, quando sentir minha falta, é só me procurar. Estarei sempre aqui para você. 

Carinhosamente,
Sua amiga de longa data.

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Mas se eu soubesse
18 de abril de 2012 às 10:03 PM | por Lorena Gonzalez.
Ah, se eu soubesse rimar
escreveria o melhor dos poemas
te entregaria numa bandeja de prata
ao lado do meu coração.

Se eu soubesse poetizar
você estaria nos meus versos
seu sorriso seria minha melhor canção
e seus olhos, a métrica perfeita.

Mas se eu soubesse valsar
estaria segura em seus braços
e rodaríamos pela eternidade
quem precisa de música com o seu perfume?

E enfim, se eu soubesse dispor
linhas e traços num caderno
seu nome junto ao meu
para sempre em nosso mundo...

Não seria incrível?

Ah, queria ainda saber tantas coisas!
Mas sei apenas te querer,
te desejar imensamente
te ver valsar, riscar, cantar, rimar
te ver sorrir...

Mas se eu soubesse rimar, ah, se eu soubesse valsar...

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Queria falar de amor
17 de abril de 2012 às 8:34 PM | por Lorena Gonzalez.
Queria eu ter o dom das palavras de amor, juntar frases e sentenças para descrever o mundo sem você. Sinto vontade de morrer cada vez que leio suas cartas sem ter nenhuma sílaba inteligente para pronunciar. Eu não sei rimar, não escrevo versos e não faço comparações com a beleza da lua. Admiro imensamente quem tem tais competências. Não gosto de assumir, mas me sinto intimidada pela sua familiaridade com os versos de amor.
Ler suas palavras me envolve de tal forma que me falta o ar. Consigo sentir o calor do seu abraço, me sinto reconfortada pelo perfume suave que consigo perceber. Ao mesmo tempo, uma dor aperta meu peito por saber que não sou sua musa inspiradora, que não sou eu que estou ao seu lado e que não tenho o direito de querer seu sorriso. 
           Mas se eu pudesse, te seguraria em meus braços, seria para você aquilo que você quisesse. Faria o tempo parar só para ficar te olhando (poderia te olhar para sempre). Ficaria te ouvindo cantar e versar, não mediria esforços para te fazer sorrir, não tem nada mais lindo no mundo do que o seu sorriso. Não pediria provas de amor, você do meu lado já seria o suficiente.   

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É possível ser feliz sozinho
12 de abril de 2012 às 6:43 PM | por Lorena Gonzalez.
Algumas coisas só acontecem nos filmes. Como descobrir que você tem uma irmã gêmea e trocar de lugar com ela durante o verão para fazer seus pais ficarem juntos de novo. Ou então ser perseguida com a irmã gêmea por bandidos perigosos enquanto corre só de toalha por Nova Iorque. É só em filme também que o amor da sua vida vai aparecer quando você quiser, é só em filme que ele vai cantar e dançar com você no meio da rua, é só em filme que ele vai abandonar tudo e parar um avião só para ficar com você, assim como é só em filme que ele vai abandonar tudo e subir em um avião só para ficar com você.
Infelizmente, não é só em filme que você pode ser obrigado a passar os feriados sozinho, a diferença é que só nos filmes isso vai acarretar um casamento com um completo estranho que se prova o amor da sua vida. O que nós precisamos é aprender que felicidade não significa apenas ter alguém para chamar de "amor" e que é possível sim ser feliz sozinho. Felicidade não é uma fase ou um momento, felicidade é muito mais do que um sorriso. A felicidade não precisa ser clandestina e pode vir para ficar.
Entenda que, quando eu digo sobre ser feliz sozinho, o que eu quero dizer é que a busca pela felicidade não é a mesma que a busca pelo amor eterno. A partir do momento que aprendemos a lidar com o fato de estar sozinhos, que passamos a aproveitar a nossa própria companhia percebemos que o mundo não é um lugar tão horrível e que não precisamos ficar tão assustados.
Mas como se faz para apreciar a própria companhia? O que é preciso fazer para se sentir satisfeito ainda que só consigo mesmo? Calma, não é tão difícil. Na verdade é bem simples, mais fácil do que parece. O melhor é começar com pouco, tem que se sentir a vontade em sua própria casa, coloque uma música e dance sozinho. Assista a um filme, faça suas comidas preferidas.
Não pense que só tem que fazer as coisas para os outros, faça um pouco por você mesmo! Quando conseguir, saia de casa. Ande de ônibus, corra no parque, você vai perceber que não é o único a fazer tais atividades sozinho. Tudo bem, é permitido usar fones de ouvido nessas situações. Vá ao cinema, lá ninguém pode te ver, compre o maior pacote de pipoca que puder e coma tudo sozinho.
Chegou a hora de dar um novo passo. Primeiro de tudo: guarde seus fones. E então faça uma visita a livraria, aproveite esse tempo, quando nos ocupamos com algo diferente e tão bom quanto os livros, o tempo voa. Tome um café, curta o sabor, o doce, o amargo, sinta o calor. Preste atenção no que acontece a sua volta, perceba as outras pessoas e a movimentação de tudo.Vá a museus, conheça a sua cidade, os parques, veja as crianças brincando nas praças. Nessa parte você vai lembrar de mim e vai sorrir.
Se a noite estiver agradável, te leve para jantar. Escolha um lugar que você goste. É bom não ter que dividir a sobremesa. Depois vá para algum lugar onde você possa dançar. Não fique sentado escondido num canto só por não ter um acompanhante, dance e não se preocupe se tiver alguém olhando! Não precisa ir até o chão, só deixar a música te levar, por mais clichê que isso pareça. Quando você perceber como é bom dançar nem vai lembrar que está sozinho... Talvez até conheça alguém. Um ótimo desafio será ir no karaokê, cantar a sua música preferida ou a mais brega que você conheça!
Hora de voltar para a casa. Duvido que você faça o caminho inteiro sem um sorriso no rosto! Se você chegar até aqui me conte o resultado, porque eu ainda não consegui... Confesso que as vezes acabo voltando atrás.Não deixe que isso te desanime, eu sou fraca... Mas tenho fé em você. Apesar de tudo, eu continuo tentando.
A melhor forma de encerrar esse texto é deixando aqui a minha fonte de inspiração.






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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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