Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Autodestruição
25 de abril de 2013 às 7:05 PM | por Lorena Gonzalez Leal.

Nunca pensei em mim mesma como autodestrutiva. Tenho essas vontades de pular de lugares muito altos só para ver o que acontece, mas não tirava nem casquinha de machucado. Atravesso na faixa, não fumo, evito tomar muito remédio, como frutas, ando a pé, não saio de cabelo molhado, não fico no sereno, durmo de meia, tomo bastante água, não tomo leite com manga, uso cinto de segurança e não fico em frente ao microondas, tudo em nome da autopreservação. 
Nunca me considerei autodestrutiva, mas talvez eu devesse. Saboto minha própria vida... Eu diminuo minhas próprias chances, eu facilito o meu fracasso, eu apago as minhas certezas, eu afasto os meus amores. Amores esses que estão diretamente ligados com a tal destruição. Afinal, amar alguém como você é completamente autodestrutivo, é suicida, é insano e irresponsável. Deixar me apaixonar quando existem opções tão mais saudáveis pra mim...
Nunca percebi que eu sou autodestrutiva até conhecer você. Seu jeito torto e esse falso relacionamento casual são mais que autodestruição. É um autoflagelo que me aplico todos os dias quando imagino que possa haver algo concreto. É uma dose de arsênico que eu ingiro quase como um remédio cada vez que eu rio das suas histórias de festa. É um nó que eu dou na minha forca cada vez que aceito seus pedidos e te vendo por aí. É um passo na prancha cada vez que te busco com os olhos e te imploro os seus carinhos.
Nunca achei que eu fosse autodestrutiva até me ver sozinha em casa sem comer imaginando como acabar com essa relação que não tem nada de real, só para depois tomar um banho, soltar os cabelos, passar perfume e te encontrar as escondidas, com pressa e com medo, às vezes com vergonha, por mais que sem vergonha nenhuma.

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Bem-te-vi
9 de abril de 2013 às 10:30 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
          Te vi, não importa onde. Te vi loira, ruiva morena. Te vi tocando gaita, te vi sorrindo, te vi com a nova tatuagem, o novo corte de cabelo, a nova gravata borboleta. Te vi nas escadas, na cantina, no bar, nos jogos. Te vi, te vejo... Te vi sem nome, sem telefone nem documento. Te vi na fila. Fiz fila quando te vi. Te vi moço, te vi rapaz, te vi menino. Te vi morena dos olhos d'água. Te vi ontem e continuei vendo, te vendo de longe, mas não te vendo por nada. Te vendo fico até sem ar, te vendo poderia ficar pra sempre. Te vi e não esqueço, te vi e reconheço. Te vejo ainda... 

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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