Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Qualquer coisa que ainda não tem nome
28 de maio de 2013 às 8:30 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Espera, não vai embora! Escuta rapidinho, me deixa só falar, depois pode sair. Por enquanto só senta aqui do meu lado, ou na minha frente, ou na poltrona... Ou então fica em pé, mas fica! Cinco minutos. E aí depois você não precisa mais me ver nem lembrar, nem ficar... Mas por enquanto, só por cinco minutos que parecem eternos perdidos nos seus olhos azuis, mas depois são tão rápidos como se nem tivessem existido quando me lembro do seu rosto no meu. Te peço que você fique, te estranho assim perto, humano... Te vejo sempre tão distante, irreal. Te estranho assim forte, a presença forte, o olhar forte, os traços fortes, até duros. Duros em mim, para mim. Ainda assim, humano e fraco, tímido, escondido, os olhos baixos, o meio sorriso, os dentes nunca à mostra. O olhar de lado é apenas um reconhecimento, nada além disso, e o riso aberto diminui junto com o espaço, vem chegando perto e o rosto vai fechando, vai fechando você. 
Nessa hora te percebo humano como eu, perdido, inconstante, assustado. E acima de tudo cansado. Porque ser humano cansa, pensar, decidir, amar, esgota. Me vejo esgotada de mim e preciso continuar vivendo. E mesmo que você se sinta vazio de si, eu te vejo cheio e me enche de qualquer coisa que ainda não tem nome, mas que me deixa quente no peito. Talvez você não entenda, provavelmente não sente isso assim, cada um se reconhece de uma forma e se esfria ou se esquenta num outro determinado. Vou perdendo seu rosto enquanto me perco na fala e então quando suas luzes se voltam para mim é sempre o susto da primeira vez. Esse namoro inventado que acontece quando você passa por mim, esse namoro entre seus olhos e os meus, meus olhos que namoram os seus. Então fica só cinco minutos pra eu poder ficar te olhando por uma eternidade. 

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Sobre velhos pactos e primeiros cds
17 de maio de 2013 às 7:07 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
         Você foi embora, em silêncio, do seu jeito, nos seus termos. Você foi porque não podia expulsar todas nós. Foi, como se nunca tivesse estado. Como se vivesse em outro estado. Engraçado isso, porque, efetivamente, nós é que vivemos. Você não saiu do lugar e ainda assim se encontra a quilômetros de distância, mais distante do que qualquer uma de nós pode enxergar. Mais distante do que nossas chamadas podem alcançar. Até os pombos-correios perderam seu rastro.
Nós todas precisamos de ajuda, cada uma a seu modo. Encontramos nossas fugas enquanto perdemos nossos caminhos e disfarçamos nossos medos com falsas certezas e decisões. Confessamos sempre aos poucos, por partes, nunca por inteiro, nada por completo, nada as claras, nada a seco. "A seco", expressão engraçada para nós, afinal, nos encontramos secas em todos os sentidos, secas na voz e nos olhos, as mãos secas, os toques secos, os carinhos secos. Secamos com o tempo, ao sol, sem agente facilitador.
Evitamos tudo o que nos lembra dos idos tempos, quando havia água e não havia sede. Essa sede de nós que nos fecha a garganta. Não tiramos nada do lugar, as fotos continuam na parede, nós é que nunca olhamos para aquele lado. As músicas continuam na lista de reprodução, nós é que nunca deixamos tocar até o final. Os filmes continuam na fila, mas nós só assistimos os do netflix. Nos restou um nome perdido em meio as histórias que contamos com sorrisos nos olhos, e se perguntarem já não sabemos dizer qual era o rosto. É difícil escolher as palavras pra dizer, tropeço entre amiga e uma garota que eu conheci no colégio. Tudo parece pouco pensando no que foi, mas é só isso... Um dia houve um pacto, mas quem é que lembra dessas coisas?
- Pena que eu não conheço ninguém com esse nome...
- É, eu conhecia...
- Eu acho que eu nunca conheci.

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Cartas secretas para um amigo anônimo XII
15 de maio de 2013 às 6:02 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
São Paulo, 15 de maio de 2013

Querido Amigo,

Alguns dias são simplesmente bons. Por isso, não se desespere, sério, só vai levando, com calma e leveza, assim desse seu jeito. Sei que é clichê dizer isso, mas acontece quando a gente não espera, você acorda e o dia é bom e é só isso. E não é pelo que você faz, é pelo o que ele é, simples, natural e inesperado. 
Saiba que não é preciso planejar cada momento, por mais que seja normal tentar se preparar. Você acorda e segue seus próprios conselhos e vê as coisas com olhos despreocupados. E de repente funciona. E depois que passa a euforia, você vê que não precisa de todo aquele drama, todo aquele medo. Algumas coisas não precisam de programação.
Essa carta é mais pra mim que pra você, mas eu sei que você já percebeu isso. Alias, desculpa por, depois de tanto tempo sem notícias, aparecer assim pra falar comigo mesma... Bem típico de mim. É que eu sei que você entende essa necessidade de ver escrito pra acreditar, entender e até mesmo registrar. Me mande notícias, ok?

Carinhosamente,
Sua amiga de longa data.

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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