Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Pra lembrar você
18 de maio de 2014 às 11:35 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
           Lembra daquela noite? Você sorria o tempo todo e eu sorria também porque me apaixonei por seu sorriso. E você dançava com tanta graça e leveza que meu corpo se mexia sozinho buscando o seu ritmo. Quando você segurou minha mão eu não fugi do cliché e uma corrente elétrica passou por todo o meu corpo, você lembra disso? Alias, não fugi do cliché em momento algum, fiz perfeitamente o papel de platonicamente apaixonado, te olhando com olhos perdidos enquanto você se encontrava em outro abraço qualquer. Mas gosto de lembrar daquela noite, não sei se você lembra, mas logo de cara tocou uma música que poderia ser nossa, você segurou meu braço quando começou a tocar, naquela música eu reconheci você e acho que você me reconheceu também. E nós temos sido esse reconhecimento que vem e vai desde então. Acho que descobri até o momento em que eu fugi do cliché, não consigo lembrar que música tocou quando nós nos beijamos, quando eu te beijei. Nesse momento não ouvi música nenhuma, ouvi meu coração acelerado, ouvi sua boca na minha, ouvi minha mão no seu cabelo, ouvi seu corpo no meu. Lembra daquela noite? Você ria de tudo e eu levava as coisas a sério demais. Levei você a sério demais e você só tava lá pra se divertir. Talvez você nem lembre, mas eu te disse incontáveis vezes que você tava linda porque eu nunca consigo me preparar pra sua beleza, sempre me pega de surpresa e me deixa assim, cliché. E eu gosto de ficar inventando coisas nossas, como a música que eu canto e que pra mim é você, ou o arco-íris que eu vejo nos seus olhos quando você sorri olhando pra mim com olhos da mesma cor dos meus (queria lembrá-los do caminho até os meus). Pode ser que eu nem esteja lembrando direito, posso ter errado as cores e os sabores, com a boca roxa de todos aqueles copos e o zunido nos ouvidos. Esqueci de outras bocas, outros cheiros, outras peles. Nunca vou lembrar do que aconteceu depois, de como isso resolveu acabar, gosto mais assim. Lembra daquela noite? Eu nem sei mais se aconteceu de verdade pra eu lembrar assim, ou se é só literatura que eu vou escrevendo e lembrando. Lembrando você assim inventada, talvez você até se lembre...  

0 comentários

Posts antigos. | Posts mais novos.
Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




Agradecimentos.

Skin:Júlia Duarte.
Basecode:Jaja
Best view:Google Chrome