Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Telemarketing
15 de julho de 2014 às 2:40 AM | por Lorena Gonzalez Leal.
Existem dois jeitos de dizer qualquer coisa no mundo, o direto e objetivo e o outro, bom, o outro é mais difícil de explicar, não sei se existe um termo certo pra isso, vou tentar exemplificar. É como quando você precisa comprar uma calça branca, você poderia chegar na loja e dizer exatamente o que você quer, mas ao invés disso, você entra e pergunta pra vendedora onde estão as calças jeans e depois completa dizendo que não quer nada azul. E aí por esse detalhe mínimo de comunicação e má escolha de palavras vocês dois saem frustrados e cansados por terem passado uma hora e meia se concentrando em todo o tipo errado de calça não azul.
Infelizmente, eu sou uma dessas pessoas que só sabem falar da segunda maneira. Eu poderia muito bem te ligar agora e dizer que eu fiquei brava porque você não entende o que eu falo. Eu poderia dizer que acordo melhor nos dias que eu sei que vou te ver e durmo mal nos dias que em que você me trata assim. Eu poderia dizer até que escrevi um texto inteiro pra você... Poderia dizer que você é a minha calça branca! (apesar de que você não entenderia a referência e as coisas só ficariam ainda mais confusas)
Mas eu não sei ser direta. Eu não sei falar o que eu to pensando, eu não sei falar o que eu quero falar. Eu sei cantar músicas que dizem o que eu to sentindo e sei usar figuras de linguagem. Eu sei escrever longos textos sobre um cara que recebeu uma mensagem de madrugada ou sobre uma menina que ficou brava por não receber nenhuma resposta. Eu sei abusar de indiretas, eu sei ser irônica e grossa. Eu sei ser insistente e chata como um atendente de telemarketing. Só preciso aprender a especificar o tipo de calça que eu quero logo que eu entro na loja.

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Falando nisso
9 de julho de 2014 às 10:58 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Vontade de falar sobre você. O tempo todo. Até cansar a boca e os ouvidos. Até meus olhos cansarem de te ver. Até meu nariz cansar do seu perfume. Até minhas mãos cansarem do seu toque. Até meu pescoço cansar dos arrepios. Até meu sorriso cansar meu rosto. Até cansar tanto que eu precise me apoiar em você pra descansar.
Vontade de falar sobre você do jeito que eu te vejo. Sem edição nem correção ortográfica. Sem censura. Sem tempo máximo nem limite de caracteres. Sem pressa, sem cuidado, sem meias palavras. Sem drama, sem gaguejar. Sem discurso ensaiado, sem ironia, sem referências bibliográficas. Sem você ficar tão longe de mim. 
Vontade de falar sobre você comigo. Contar as piadas sem graça. Contar quantas vezes você aperta minha barriga. Contar os meses desde que eu cheguei. Contar que me magoa você não responder minhas mensagens. Contar os minutos entre um abraço e outro. Contar quantos segundos meus olhos aguentam nos seus. Contar o tempo que você aguenta sem mim.
Vontade de falar sobre você. Com você. Ao vivo, por carta, mensagem, sinal de fumaça. No trabalho, no almoço, no dia de folga. De manhã, de tarde, de noite. Ou quando não conseguir dormir. Ou me segurar pra não dormir e continuar falando. E falar dormindo. E dormir falando. E aí sonhar com a conversa. E acordar com você.







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Esse é pra você
3 de julho de 2014 às 2:24 AM | por Lorena Gonzalez Leal.
Enfim vinte anos. Um número tão redondo, tão inteiro. Você sai da adolescência, mas a adolescência não sai de você naquela coleção de livros no armário, no tênis desbotado com a sola furada, na mochila desgastada, nas fotos espalhadas na parede, na escrivaninha, nos cadernos, no armário. Mas vinte, são tantos anos! A gente não sabe nem onde colocar tudo isso. Coloca uns na bolsa, guarda outros na gaveta de calcinha, deixa um na carteira pra não esquecer, esconde um embaixo da cama, expõe um na estante da sala bem em cima da tv, guarda um na cozinha pro lanchinho da madrugada. Pega aquele que você queria esquecer e coloca dentro de um envelope dentro de uma caixa dentro de outra caixa trancada dentro de um baú embaixo da tábua solta do assoalho. Os que sobrarem você amarra e usa de amuleto. 
E comemora. Comemora vinte vezes que é pra valer a pena o número! Comemora com a sua mãe a sua irmã (aproveita e manda um beijo meu, diz que eu to com saudades). Comemora com o Bruno e faz ele dizer o quanto tem sorte por estar com você assim vinte vezes melhor do que esteve em qualquer outro momento da vida. Comemora com os amigos, aqueles poucos que sobraram e que sabem comemorar como ninguém. Comemora com você mesma, porque ninguém entende melhor o significado desse dia do que você. Comemora com o que você tem saudade, do jeito que te faz feliz. Comemora sem pensar nos 21.
Aproveita que é seu dia e faz dele seu. Faz dele 20. Vinte sorrisos, vinte pessoas, vinte momentos, vinte alegrias, vinte você. E vinde você à nossa festa! Mas vinde assim tão você, do jeitinho que eu lembro, aquele sorriso que enche o rosto, os olhos gigantes sorrindo também, a disposição pra topar qualquer bobagem, mas dessa vez, vinte vezes mais você. E não deixa de lembrar daqueles que esqueceram ou que pularam sem querer a folha no calendário ou que tenham vinte motivos pra não estar com você. Lembra deles com aquele carinho que você guarda no peito e nos olhos, aquela ternura que você traz do berço e contagia todo mundo. 
E perdoa esse meu texto assim sem jeito, perdoa os que foram embora cedo demais e os que chegaram atrasados, perdoa a viagem longa que te toma tempo demais, perdoa as mensagens que te tomam tempo de menos. Perdoa a música ruim no rádio, a caligrafia torta no cartão, o nome escrito errado no bolo. Perdoa aqueles vinte presentes escolhidos de qualquer jeito e que não tem nada a ver com você, mas agradece com todo o coração aquele presente que chegou devagarinho e que não é muito mas é todo você. 
Enquanto isso eu agradeço por ter essa fração dos seus vinte anos, e te mando vinte parabéns acompanhados de vinte abraços e vinte pedaços de bolo que eu só compartilho com você! E eu comemoro aqui porque não sei o que faria sem você, sem o seu equilíbrio, a sua paciência e o seu amor que se multiplicam por vinte pra aguentar as minhas crises. E eu queria te compensar vinte vezes, mas, em vez disso, deixo aqui meus vinte parabéns!

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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