Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Fluoxetina 20mg
31 de março de 2015 às 1:43 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Não sei ir com calma, só tenho duas velocidades: stalker psicótica ou desinteressada total. Trabalho com essas duas velocidades, esses dois termos, essas duas medidas, ainda sou a mesma de sete anos atrás, quando você era a única que entendia, quando eu queria desesperadamente sentir todas as coisas sobre as quais eu lia. Quando parecia que todo mundo vivia mais que eu. Quando eu te fazia passar noites sem dormir pra assistir filmes que você nem queria ver. Quando eu te sufocava com crises inventadas de sentimentos infantis. (Ou crises infantis de sentimentos inventados)
Esse texto nem era pra você, mas me bateu essa saudade que escondeu toda aquela raiva que virou mágoa, aquela aflição, e me deu uma vontade imensa de saber o que você anda fazendo. De repente queria sentar pra um café (você ainda gosta de café?) e deixar você falar sobre o que quer que fosse, suas paixões, suas lutas e ambições. E deixar que você visse que eu ainda sou a mesma, porque você perceberia com certeza, e que eu ainda luto com os mesmos fantasmas. 
Talvez melhorasse um pouco minha ansiedade, (eu era menos ansiosa naquela época), e depois disso talvez eu nunca mais te visse, como eu já não vejo, talvez déssemos risada na despedida antes de irmos cada uma para um canto com a certeza de que era o fim, mas sem peso e sem dor, o fim declarado e sutil de algo que foi bom e necessário praquelas meninas de sete anos atrás. Talvez seja só o efeito dessa voz triste do Amarante cantando na caixinha de som (que foi um presente seu).

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Memória de elefante
18 de março de 2015 às 1:43 AM | por Lorena Gonzalez Leal.
Eu lembro perfeitamente do nosso último beijo, seus lábios abrindo e se fechando com a mesma velocidade, repentinamente, como se a mesma coisa que te atraía te repelisse. Lembro dos seus olhos fugindo dos meus e depois procurando-os tomados por um brilho condescendente. As suas mãos que primeiro me afastaram pra depois tentarem me confortar num carinho impessoal e distante, como você faz numa criança que te mostra uma coleção de rabiscos feitos com giz de cera. 
Eu lembro perfeitamente dos nossos últimos beijos (foram vários, você pode escolher) e da dor que os acompanhava. Lembro do gosto do álcool e do cigarro, o fim é sempre acompanhado desses dois, lembro das luzes que mais me deprimiam que animavam, intermitentes no furor caótico da noite quente. E dos sorrisos debochados e tons de voz irônicos que me cercavam e abraçavam e convidavam para aproveitar a noite. 
Eu lembro perfeitamente do nosso último beijo, o perfume que ficou na minha roupa e o quanto eu queria lavá-lo de mim. E como ficou estampado em meu rosto como uma cicatriz ou uma tatuagem mal feita para que todo mundo soubesse que tinha sido um erro. E mesmo sem nenhuma marca física real, sem roxos ou hematomas, lembro da sensação de carregar essa marca como um cachorro que sai pra passear e para pra fazer xixi em todos os lugares inapropriados. 
Eu lembro perfeitamente do nosso último beijo e da minha negação em aceitar o fato que estava mais que declarado. Lembro de querer contestar e não ter nenhum argumento. E de você me pedindo para contestar e se frustrando com o meu silêncio. Lembro de como você nunca entendeu o meu silêncio e eu nunca soube explicar. Lembro de como demorou pra eu esquecer esse olhar. E de como demorou pra eu conseguir olhar pra você sem pensar nisso. 
        Curiosamente, não lembro do último momento feliz, da última vez que você disse que me amava, ou a última vez que me elogiou, ou perguntou como tinha sido meu dia e o que eu tinha feito. Só consigo lembrar de quando eu percebi o primeiro sinal, quando olhei em seus olhos e vi o que estava ali, quando soube que era o último, quando jurei que seria o último, quando quis que fosse o último. E lembro que nada disso importa, nem o primeiro, nem o último, lembro que houve um tempo em que tínhamos segundos, terceiros e quartos. 

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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