Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Melancolia
1 de maio de 2016 às 4:05 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Não sei explicar essa sensação. É como se meus olhos estivessem nublados e a neblina viesse de dentro de mim. Como se o ar que eu respiro fosse tão pesado que me enchesse por dentro como um balde de cimento me prendendo no chão. Chega a ser inebriante. Como sair de um mergulho longo demais, depois de ficar incontáveis minutos embaixo d'água, envolta pelo azul acinzentado e nebuloso, emergir com olhos vermelhos e os pulmões em chamas.
É inegável o prazer dessa emersão. Aqueles cinco minutos de claridade em que o sol brilha forte demais nos seus olhos adaptados à profundidade escura daquelas águas. E essa mistura de sal e sol arde nos olhos num gozo exacerbado. A dificuldade em entrar em acordo com os pulmões que lutaram tanto tempo para se acostumar com a escassez e agora pelejam diante a tanta abundância. E perceber os sons voltando aos poucos tirando a pressão dos ouvidos.
De repente tudo volta num baque certeiro e te empurra de volta pro vácuo. Acaba o desespero, acaba o gozo, acaba o reconhecimento. Seus olhos, pulmões, tudo se acostuma ao sol e todos os seus sentidos desistem de você. Sentir o peito se enchendo de nada não traz nenhuma emoção, comoção ou movimento. Vez ou outra a neblina passa, a garganta fecha e o que vem é tão forte que transborda por todos os lados. O corpo treme e cada centímetro dói uma dor desenfreada. Cada molécula do corpo recheada dessa melancolia que põe no chinelo qualquer filme do Lars Von Trier. E aí voltar para a neblina se torna a melhor coisa do mundo.

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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