Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Canção de ninar
24 de abril de 2017 às 11:41 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
A mão que me encontrou no escuro veio firme como se tivesse olhos nos dedos, sabendo exatamente onde queria chegar, segura da sua invisibilidade no quarto apagado, certa do seu calor pra não dar choque quando tocasse a minha pele. Ainda assim, me encontrou calma, paciente, mapeando seu caminho deixando pra trás uma trilha de migalhas de impressões digitais. Cuidadosa, percebia as respostas do meu corpo decidindo assim suas paradas obrigatórias e pagando seus pedágios.
Essa mão trouxe consigo uma boca, a princípio tímida, respeitosa, quase como uma canção de ninar me despertando do sono e transportando pra um estado de paz conflituosa. Seus sussurros se fundiam no silêncio pesado do escuro, entrecortado pelos movimentos nos colchões e as respirações pesadas. Essa boca não vacilou, não tremeu, mas aumentou a intensidade de seus caprichos, seus beijos suaves marcando sem marcar, pesando sem pesar, tatuando em mim esse gosto doce e amargo.
O corpo que me envolveu era o mesmo de sempre, mas nesse momento era outro, era casa e abrigo, era um campo desconhecido florido e ensolarado, era um universo a ser explorado, era céu, era terra e era mar. Era um corpo feito de sonhos e abraços, mas era desejo queimando meus braços e pernas, ardendo no colo e no ventre, silenciado pelos murmúrios da rua. Era um conjunto de sentimentos confusos novos e antigos. Era meu como o meu era dele, era eu como eu era ela.

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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